Crise diminui liderança regional do Brasil e afeta economia de vizinhos


Paralisado pela crise interna, Brasil perde protagonismo na América Latina e abre espaço para outras lideranças regionais, como a Argentina. Recessão duradoura também influencia as economias dos países vizinhos.

Após exercer grande influência nos mandatos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o Itamaraty perdeu prestígio e orçamento no governo da presidente Dilma Rousseff. E, se a política externa já não era prioridade para ela nos primeiros anos, com o agravamento da crise interna diminuíram ainda mais as chances de o país retomar o protagonismo na região.

O governo Dilma chegou a obter algumas vitórias na política internacional, por exemplo ao eleger para a liderança da Organização Mundial do Comércio (OMC) o diplomata Roberto Azevêdo e ao tecer críticas aos Estados Unidos devido à espionagem da própria presidente e de estatais brasileiras feita pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Por outro lado, sofreu críticas ao optar pela cautela e não censurar a Venezuela pela repressão aos protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que culminaram na prisão de líderes oposicionistas, como Leopoldo López.

No governo Dilma, o Brasil passou de um país que tinha uma das políticas externas mais ativas entre as nações emergentes para uma nação paralisada pela crise e que não lidera mais os debates sobre o futuro da América Latina, constatam especialistas ouvidos pela DW. Essa situação tem consequências para os demais países latino-americanos.

“Qualquer crise econômica e política no Brasil tem grande impacto nos vizinhos devido ao tamanho do país e à sua presença na economia dos vizinhos”, diz Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV. “O país deixou de promover uma discussão regional sobre os rumos do continente. Áreas como crime organizado internacional ou tráfico de armas e de drogas exigem uma resposta regional, e o país está ausente. O Brasil é hoje uma fonte de problemas e não de soluções.”

Para Ana Soliz de Stange, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), em Hamburgo, o Brasil, como líder regional, tinha principalmente o papel de mediador de conflitos na região. A crise gerou impactos negativos na América do Sul, “deixando o vazio de uma liderança que desempenhe um papel prudente pela estabilidade da região, além dos efeitos econômicos negativos num ano em que as expectativas de crescimento na região já são baixas”.

http://www.dw.com/pt/crise-diminui-liderança-regional-do-brasil-e-afeta-economia-de-vizinhos/a-19223378

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