Mercosul aumenta exportação de alimentos a Rússia


Países latino-americanos tornam-se os principais fornecedores alternativos de alimentos à Rússia, apesar da oposição dos Estados Unidos e da União Europeia.

Os países da América Latina aumentaram consideravelmente o volume das exportações de alimentos para a Rússia. Atualmente, o comércio bilateral entre as partes é 2,5 vezes maior do que em 2011.

“A magnitude do comércio entre nossos países tem crescido muito nos últimos anos, apesar das tentativas por parte daqueles que introduziram sanções contra Moscou de convencer os latino-americanos a não exportar produção agrícola para a Rússia”, disse à Gazeta Russa o economista da Analitika Online, Serguêi Dúchetchkin.

Dados do Serviço Federal Russo de Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor), mostram que, desde o início de 2016, o Brasil forneceu à Rússia 3.000 toneladas de matérias-primas, o Uruguai, 7.000 toneladas, e a Argentina, 28.000 toneladas.

Segundo Dúchetchkin, esses países foram capazes de substituir mais de um décimo das importações europeias de matérias-primas.

Em 2015, por exemplo, a Rússia adquiriu, pela primeira vez, 35.000 toneladas de carne suína do Chile – que, ao lado da Argentina, está gradualmente expulsando as maçãs poloneses, até então líderes no mercado russo.

“As melhores condições para a exportação de alimentos à Rússia em países latino-americanos se dão durante o inverno russo. Frutas, legumes e frutas, tão necessárias para os russos nessa época e devido à ausência de fornecedores europeus, começam a ser enviadas à Rússia em quantidade cada vez maior”, diz Dúchetchkin.

Ainda segundo o especialista, a qualidade desses produtos oriundos da América Latina geralmente excede a de seus análogos europeus.

Queda da importação

“Os principais segmentos em que países latino-americanos estão substituindo as antigas importações de alimentos europeus são os de peixes, laticínios e açúcar”, diz Konstantin Buchuiev, diretor de análise de mercado da Open Broker.

No entanto, a crise econômica também se reflete no consumo de alimentos pelos russos.

De janeiro a julho de 2016, o total das importações russas caiu 7,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Já em agosto deste ano, as importações em agosto despencaram 12,4% em relação ao mesmo mês em 2015.

“A entrada de alimentos corresponde a cerca de 14% do total das importações russas, e as importações a partir de países latino-americanos totalizam apenas 3% do volume total”, aponta Buchuiev.

Segundo o especialista, em meio às atuais circunstâncias, não há sentido em falar de uma revolução significativa na substituição alimentar europeia pelos latino-americanos. “Isso irá ocorrer apenas com alimentos específicos”, explica.

A principal barreira para substituição de importações de alimentos por produtos da América Latina é de natureza logística, acredita o analista financeiro da Finam, Timur Nigmatúllin.

É por isso que, segundo o observador, a iniciativa apresenta melhores resultados entre os produtores da Ásia, Comunidade dos Estados Independentes e Oriente Médio.

“Por enquanto, os latino-americanos não conseguirão substituir os fornecedores europeus por completo, embora sejam perfeitamente capazes de ajudar a Rússia a lidar com a situação criada pelas sanções econômicas”, diz Dúchetchkin.

Argentina como destaque

Após reunião com seu homólogo argentino, Mauricio Macri, às margens da recente cúpula do G20 na China, o presidente russo Vladímir Pútinressaltou os contatos existentes entre os dois países.

“Nossos ministérios e departamentos de diferentes áreas estão em contato. Nossos parlamentos cooperam em formatos internacionais e regionais”, disse Pútin.

“A Argentina é um importante parceiro comercial e econômico da Rússia na América Latina, e o comércio bilateral entre os dois países cresceu 1,7% de janeiro a junho”, acrescentou o presidente russo.

19 de setembro de 2016 ALEKSÊI LOSSAN, GAZETA RUSSA

http://gazetarussa.com.br/economia/2016/09/19/mercosul-aumenta-exportacao-de-alimentos-a-russia_631249

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