Recuperação global traz ‘ciclo benigno’


Análise por Alexandre Coelho, Colunista CENEGRI

A economia mundial dá firmes indicações de que, desta vez, entrou em uma trajetória mais sólida de recuperação – que tende a favorecer o conjunto de economias emergentes, entre eles o Brasil -, depois de uma coleção de falsos positivos ocorrida desde a crise financeira internacional de 2008. 

Fonte: Valor Econômico – 02.05.2017 – http://www.valor.com.br/brasil/4953566/recuperacao-global-traz-ciclo-benigno

 

Dados do FMI mostram que há uma chance de crescimento econômico para os Estados Unidos (2,3%) e para a Zona do Euro (1,7%) em 2017. Esses indicadores revelam que o mundo pode deixar para trás o período de forte recessão iniciada com a crise 2008. Essas taxas indicativas de expansão já foram precedidas por números positivos na economia mundial de acordo com outros dados do FMI para o segundo semestre 2016. De acordo com o documento Panorama Econômico Mundial, a produção de bens de consumo duráveis e de bens de capital em várias partes do mundo registraram retomadas em virtude de investimentos imobiliários e em infraestrutura na China e pelo “fim de um ciclo de ajustes de estoques nos Estados Unidos”, conforme aponta a matéria do Valor Econômico.

No entanto, esses indicadores positivos mantidos pelo comércio internacional, pelos investimentos globais, produzidos por agentes econômicos ou atores não-estatais, não vem acompanhados por um cenário tranquilo e positivo do ponto de vista geopolítico. Existem riscos que, embora as chances de concretização sejam pequenas, conforme assinala Christopher Garman do Eurasia Group para o Valor Econômico, caso se concretizem poderão desestabilizar a economia mundial. E quais são esses riscos geopolíticos?

Ainda de acordo com o Eurasia Group: (i) no âmbito do comércio internacional, os Estados Unidos podem tomar medidas contra a China por condutas desleais, estimulando uma “tensão comercial modesta” entre os dois países; e (ii) a crise de segurança internacional, envolvendo Estados Unidos e Coréia do Norte especialmente no que se refere ao programa nuclear desse país asiático. Como consequência, em razão das tensões comerciais com a China, a possibilidade dessa de atuar como mediadora e interferir de forma positiva nas relações entre Estados Unidos e Coréia do Norte ficarão prejudicadas. Portanto, a “tensão na Península Coreana” pede atenção dos investidores e dos demais atores econômicos.

Além disso, Trump já mostrou que não é comprometido com acordos multilaterais – vide, por exemplo, a saída dos EUA do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. O que Garman, do Eurasia Group, chamou de “recessão geopolítica” ou “é a diminuição da capacidade das grandes potências em resolver conflitos”. Dentro desse cenário, verifica-se que os grandes atores estatais não serão capazes de ações conjuntas que poderão minimizar ou mesmo evitar que riscos geopolíticos sejam neutralizados para que não afetem os bons números apresentados pela economia mundial até o momento.

Quanto ao Brasil, o ciclo econômico internacional é positivo na medida em que os investimentos estrangeiros no país poderão aumentar. Além disso, o aumento da demanda por commodities provocará também uma elevação nos preços desses ativos, beneficiando também as exportações. Todavia, conforme já apontado, os riscos geopolíticos internacionais – se concretizados – poderão envolver negativamente a economia do país, isso sem falar nos problemas políticos enfrentados internamente em razão de um fragilizado governo Temer.

Em suma, no momento, e o Brasil não está imune a isso, o panorama econômico internacional positivo se sustenta principalmente às custas dos agentes econômicos, podendo ser revertido negativamente em razão de choques geopolíticos.

Alexandre Coelho.

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