Na contramão das sanções dos EUA, China abre linha de crédito de US$ 10 bi para o Irã


Ajudando Teerã a driblar o regime de sanções imposto por Washington, China abriu uma linha de crédito de US$ 10 bilhões destinada a financiar diversos projetos de infraestrutura nos setores de energia, transporte e água do país.

Teerã tem honrado o Plano de Ação Conjunto celebrado em 2015 entre Irã, Rússia, EUA, China, França, Reino Unido, Alemanha e UE. Seguindo as determinações do documento, o país reduziu o seu programa de armas nucleares. Apesar disso, Washington implementou uma série de novas sanções contra o país, incluindo o congelamento de ativos e a imposição de limites de transferência financeira.

De acordo com o presidente do Banco Central do Irã, Valiollah Seif, a empresa de investimento estatal chinesa CITIC abriu uma linha de crédito de US$ 10 bilhões para bancos iranianos com objetivo de financiar projetos de infraestrutura no país, de acordo com Times of Israel.

A volumosa linha de crédito será operada em euros e yuans, para contornar as sanções norte-americanas.

Valiollah Seif acredita que os US$ 10 bilhões, que se juntam a outros US$ 15 bilhões adicionais de investimentos chineses, previamente aprovados em outros projetos não identificados no país, demonstram “uma forte vontade de continuar a cooperação entre os dois países”.

A China está buscando ampliar as relações comerciais com toda a região, no âmbito do seu ambicioso projeto da Nova Rota da Seda (One Belt, One Road). Pequim tem investido muitos bilhões de dólares para aprofundar os laços com a África e a Europa. Além disso, China é o maior beneficiário do petróleo iraniano, e representa quase um terço do comércio externo de Teerã.

Respaldando a intenção de ampliar os laços comerciais com o país, Pequim também já abriu duas linhas de crédito equivalentes a US$ 4,2 bilhões para construção de linhas ferroviárias de alta velocidade entre Teerã e as cidades de Mashhad e Isfahan, de acordo com o Iran Daily. O projeto também recebeu um aporte de 8 bilhões de euros graças ao contrato de crédito entre o governo iraniano e o sul-coreano Korea Eximbank, assinado em agosto.

Apesar das instituições financeiras ocidentais continuarem cautelosas, particularmente em função das sanções de Washington, que muitas consideram desnecessárias, as negociações do governo iraniano progridem com bancos na Áustria, Dinamarca e Alemanha para fornecer uma linha de crédito de US$ 22 bilhões para o Irã.

Se continuar assim, as sanções norte-americanas, a longo prazo, podem se revelar um tiro no pé.

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/201709169371626-sancoes-eua-china-credito-ira/

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