Rússia e China aprofundam a cooperação energética com o avanço do Power of Baikal por Luísa Nunes

The Centre for Studies on Geopolitics and Foreign Affairs

Rússia e China aprofundam a cooperação energética com o avanço do Power of Baikal por Luísa Nunes

13 de outubro de 2026 Blog 0

Em 2 de setembro de 2026, durante o Fórum Econômico Oriental, o governo russo anunciou uma nova etapa do projeto anteriormente conhecido como Power of Siberia 2. Segundo o ministro da Energia, Sergei Tsivilev, Vladimir Putin renomeou o projeto como Power of Baikal. Ele deverá ter aproximadamente 2.600 quilômetros e transportar até 50 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano de Yamal, no Ártico russo, para a China por meio da Mongólia.

O anúncio ocorre em meio ao aprofundamento da cooperação energética entre Rússia e China. O novo gasoduto deverá complementar o Power of Siberia 1, que já abastece o mercado chinês, ampliando a capacidade russa de exportação para a Ásia. Essa estratégia ganha importância diante do enfraquecimento das relações energéticas com a Europa após a guerra na Ucrânia e as sanções ocidentais.

Apesar da aproximação, o projeto também revela interesses distintos entre Moscou e Pequim. O Power of Siberia 2 permaneceu anos em negociação devido a divergências sobre o preço do gás. Enquanto a Rússia busca garantir um mercado de longo prazo para suas exportações, a China possui maior poder de barganha, especialmente diante da crescente dependência russa do mercado asiático.

A perspectiva russa também relaciona o projeto ao desenvolvimento econômico do extremo oriente do país. Segundo Tsivilev, a infraestrutura energética da região está sendo ampliada e o Power of Siberia 1 já opera em plena capacidade. Em 3 de setembro, o vice-primeiro-ministro chinês Ding Xuexiang reuniu-se com Putin em Vladivostok e destacou as perspectivas de cooperação bilateral no desenvolvimento da região, demonstrando que a agenda energética está inserida em uma parceria mais ampla envolvendo infraestrutura e investimentos.

Dessa forma, o avanço do Power of Baikal pode ser interpretado como parte da reorientação geoeconômica da Rússia, que busca substituir parte de seu antigo mercado europeu por destinos asiáticos. Embora essa estratégia permita a Moscou reduzir sua dependência dos mercados ocidentais, ela também aumenta a importância da China para a economia russa e pode aprofundar a assimetria entre os dois países. Para Pequim, a ampliação do fornecimento russo contribui para sua segurança energética e, simultaneamente, fortalece seu poder de negociação sobre preços e condições comerciais.

Assim, mais do que um projeto de infraestrutura, o Power of Baikal representa uma mudança no eixo energético russo. Ele evidencia como a guerra na Ucrânia vem contribuindo para a aproximação entre Rússia e China. Ao mesmo tempo, cria novas relações de dependência e poder dentro dessa parceria.

REFERÊNCIAS:

ANADOLU AGENCY. Putin renames Power of Siberia 2 pipeline project Power of Baikal, Russian energy minister. Anadolu Agency, 2 set. 2026. Disponível em: https://www.aa.com.tr/en/eurasia/putin-renames-power-of-siberia-2-pipeline-project-power-of-baikal-russian-energy-minister/4045618. Acesso em: 3 set. 2026.

REUTERS. Chinese official hails prospect for cooperation with Russia in Far East. Reuters, 3 de set. 2026. Disponível em: https://www.reuters.com/world/china/chinese-official-hails-prospect-cooperation-with-russia-far-east-2026-09-03/. Acesso em: 3 set. 2026.

REUTERS. Russia’s Putin renames planned ‘Power of Siberia 2’ pipeline to ‘Power of Baikal’. Reuters, 2 set. 2026. Disponível em: https://www.reuters.com/business/energy/russias-putin-renames-planned-power-siberia-2-pipeline-power-baikal-pipeline-2026-09-02/. Acesso em: 3 set. 2026.

SOUTH CHINA MORNING POST. Xi, Putin to meet in Bishkek for Power of Siberia 2 pipeline talks. South China Morning Post, 29 ago. 2026. Disponível em: https://www.scmp.com/news/china/diplomacy/article/3365710/xi-putin-meet-bishkek-power-siberia-2-pipeline-talks-kremlin. Acesso em: 3 set. 2026.

*Luisa Nunes, pesquisadora do LabGRIMA.